João Anatalino

A Procura da Melhor Resposta

Textos


A CIDADE SECRETA DA MAÇONARIA


LIVRO: A CIDADE SECRETA DA MAÇONARIA
AUTOR; DAVID OVASON
EDITORA PLANETA: SÃO PAULO, 2007

SINOPSE

Não se trata de ficção nem esoterismo barato, como comumente se encontra em obras do gênero. A Cidade Secreta da Maçonaria existe mesmo. E não é nem um pouquinho secreta. Ao contrário, é uma das cidades mais importantes do mundo e abriga a capital do país mais poderoso do planeta. Neste livro, David Ovason, com base numa extensa e bem fundamentada pesquisa, mostra que Washington DC, capital dos Estados Unidos da América é uma cidade que foi inteiramente projetada por maçons e com clara inspiração na doutrina maçônica. Ali, cada esquina, cada prédio, cada monumento, de seu traçado original, foram projetados cuidadosamente para fazer parte de um desenho, cujo significado deveria ser compreendido apenas por poucos iniciados. Em Washington D.C. está o verdadeiro segredo da maçonaria. Nos seus monumentos, no seu traçado, homens poderosos, mentes privilegiadas, pessoas reverenciadas pela História universal como grandes estadistas, arquitetos, artistas, escritores, políticos, inventores e construtores de impérios, deixaram impressas suas crenças num destino escatológico incomum para o país que acabavam de fundar. Neste livro, o simbolismo cósmico da capital dos Estados Unidos é revelado pela primeira vez, com base numa séria pesquisa, sem as ambiguidades e o delírio esotérico que comumente se costuma encontrar em obras sobre a Maçonaria e seu suposto segredo. O autor mostra, com muita propriedade, que em Washington DC, os códigos secretos extrapolam o mundo da ficção. Eles estão presentes em monumentos e prédios centenários, como que a provar que a imaginação está sempre muito à frente da realidade.

NOVUS ORDO SECLORUM

Muita bobagem já foi escrita sobre esse assunto. A primeira é que a pirâmide truncada que aparece na nota de um dólar é um símbolo dos Illuminatis, uma seita secreta(uma espécie de maçonaria negra) que estaria por trás de todos os crimes e conspirações políticas que acontecem no mundo. Segundo os teóricos da conspiração (os escritores diabólicos, como os chama Humberto Ecco em O Pendulo de Foucald), os Illuminatis mataram Abraão Linconl, Getúlio Vargas, o Arquiduque Ferdinando da Ástria, o Presidente Kennedy, o pastor Martin Luther King, a Princesa Diana, uma dúzia de papas and much more. Foram também responsáveis pelos principais escândalos financeiros e políticos do século XX e pelos grandes atentados terroristas da atualidade. Fazem isso porque querem espalhar o caos mundial, o medo, o terror, e assim aparecer como salvadores do mundo, implantando a Ordo ab Chaos. (A Ordem No Caos).
Na verdade, essa frase, A Nova Ordem do Século, nada mais representa do que uma antiiga ideia posta em prática. É uma tentativa de realização de um sonho utópico, por parte de um monte de homens e mulheres que acreditaram piamente numa esperança que tem sido prometida aos homens desde a aurora dos tempos: a de que um dia a humanidade voltaria ao paraíso do qual ela foi expulsa.
Os Estados Unidos da América foram fundados numa época em que esse sonho estava muito presente nos espíritos das pessoas. Era a época do Iluminismo, a grande corrente de pensamento que emergia de uma era de obscurantismo e escravidão física e espiritual. Teorias obscurantistas como a do direito divino dos reis, a supremacia racial, o pecado original, a infalibilidade do Papa, etc, começavam a ser abandonadas em prol de um novo humanismo que pregava o livre arbítrio e a busca da felicidade como objetivo fundamental da vida.
Era a época das utopias e a América aparecia como a realização mais próxima desse sonho milenar. Liberdade de espaço, liberdade de pensamento, liberdade de crença, liberdade para ir e vir, liberdade para ganhar a vida como bem entendesse, obedecendo somente as leis que elas mesmas votassem, esse era o sonho de todas as pessoas com alguma educação e sensibilidade naqueles dias. E quando os “pais da pátria” americana redigiram a Declaração da Independência e começaram a fazer a Constituição do país, essa ideia começou a tomar a forma de uma realidade palpável. Tinha nascido a nova ordem mundial, na qual o sonho iluminista poderia ser realizado.
E ele se tornou o sonho americano.vEmbora a pirâmide truncada, com o olho que tudo vê e a divisa Novus Ordo Seclorum só tenha sido oficializada na nota de um dólar na gestão do presidente Teodore Roosevelt (que também era maçom), a ideia que ela simboliza já vinha desde os dias da Guerra da Independência.É portanto, uma divisa filosófica, um lema que encerra uma promessa de porvir, e não tem nada a ver com concepções luciferinas e conspirações de uma plutocracia sombria e diabólica, como querem os téóricos da conspiração.

O QUE A MAÇONARIA TEVE A VER COM ISSO?

Praticamente tudo. A maioria dos líderes revolucionários eram maçons. George Washington, Benjamim Franklin, os irmãos Wesley, Thomas Paine, entre outros. E as Lojas maçônicas eram os locais onde a propaganda iluminista era a doutrina da moda. Liberdade, Igualdade, Fraternidade, como apregoavam os revolucionários franceses, era a divisa desse novo mundo que emergia das cinzas do "anciem regime" e do começo do desmoronamento dos grandes impérios coloniais.  Uma nova forma de governo, uma nova forma de viver, novas crenças, um novo mundo, enfim. Essa era a nova ordem do século que os maçons americanos queriam e pensavam poder implantar na jovem pátria que então fundavam. Dai, nada estranho que eles tivessem fundamentado as atitudes de suas vidas práticas nos postulados da doutrina maçônica e tenham refletido essa ideias em suas realizações.
Depois, é preciso não esquecer que foram os americanos que inventaram o self-made-man, o homem que se faz por si mesmo; e foram eles também os principais criadores da filosofia da auto-ajuda, que tem como um dos pioneiros o grande Ralph Valdo Emerson. É essa filosofia que transparece na divisa Annuit Coeptis, que quer dizer textualmente "Deus aprova (abençoa) nossos objetivos." Dai, tanto a nova ordem do seculo, quanto a assertiva de que Deus aprova o que fazemos, são claramente, frases de efeito que funcionam como âncoras do estado de espírito positivo que se pretendeu transmitir ao povo americano,após a sua independência.   

O MITO E A LENDA

A Maçonaria, dada a sua própria história e a tradição que ela encerra, está, naturalmente, envolta em mitos e lendas. Uma delas (a mais saborosa) é a de que ela é a herdeira da famosa Ordem do Templo, lendária Ordem de cavalaria medieval, fundada na época das cruzadas, e que durante mais de dois séculos foi uma grande potência econômica, militar e religiosa, chegando mesmo a eclipsar a autoridade do Vaticano e ditar a politica das principais casas reais da Europa. A Ordem do Templo foi extinta em 1312, mas a aura de mistério, segredo e teorias conspiratórias, envolvendo os participantes dessa Sociedade e seus membros sobreviventes nunca desapareceu. Historicamente está hoje provado que as grandes navegações efetuadas pelos portugueses foram, em grande parte, financiada pelo tesouro templário. O próprio fundador do reino português, Afonso Henriques, era cavaleiro emplário. Da mesma forma, grande parte dos acontecimentos históricos que culminaram na Reforma protestante e ditaram as bases dos estados modernos, passam, de alguma forma por influências desses antigos cavaleiros hereges .
A sua mística continua a ser alimentada até hoje. Um desses segredos é o famoso tesouro que desapareceu misteriosamente quando os cavaleiros templários foram presos no inicio do século XIV. Desde então ele tem sido procurado pelos caçadores de tesouros e se prestado a muitos e muitos enredos saborosos, cheios de mistério, conspirações e assassinatos. Um desses enredos é o filme A Lenda do Tesouro Perdido.

A LENDA DO TESOURO PERDIDO- O FILME

A Lenda do Tesouro Perdido é um filme estrelado por Nicolas Cage, Jon Voight e Christopher Plummer. Cage é o descendente atual da família Benjamin Franklin. Essa familia procura, obstinadamente, por gerações, o lendário tesouro. Trata-se de uma família de maçons históricos que vem desde a época do famoso diplomata e inventor, guardando o segredo da localização do tesouro. No momento essa localização estaria perdida e competia a ele, como legitimo descendente de Franklin, reencontrá-lo. Ele acreditava que a pista para o famoso tesouro estaria gravada na Declaração de Independência, codificada no verso do histórico documento. Dai eles o roubam e dão início a um movimentado trhiller que termina com uma inusitada descoberta. Bom, quem já assistiu ao filme sabe do que estamos falando, e para quem não viu não queremos estragar a surpresa, por isso vamos parar por aqui. 

O SEGREDO DA MAÇONARIA

Os maçons de verdade( que não são todos que galgaram os mais altos graus da Ordem), sabem qual é o verdadeiro segredo da Maçonaria. Eles o encontram nas ruas de Paris, de Praga, de Viena, nas ruinas dos antigos templos egípcios e nos edifícios modernos, nas antigas catedrais, nas ruínas de Machu Pichu e nas preceptorias templárias que ainda resistem pelo mundo. Ele está nas obras de Aleijadinho, na música de Mozart. Na arquitetura dos teatros municipais do Rio de Janeiro e de São Paulo. Está tanto na Iracema de José de Alencar quanto no Navio Negreiro de Castro Alves e nos cânticos de liberdade de Walt Whitman.
Esotericamente ele está presente nas ruas de Washington DC, no desenho de seus edifícios e na planificação de suas ruas. É fácil ver essa conformação na geometria daquela cidade, da mesma forma que se pode encontra-lo nos subterrâneos de Paris, que os arquitetos maçons de Napoleão cavaram para hospedar a rede de esgotos daquela cidade. Quem leu a obra “Os Miseráveis”, do maçom Vitor Hugo, há de se lembrar da verdadeira jornada iniciática que é a fuga de Jean Valjean pelos esgotos da cidade, carregando nas costas o jovem Marius. E quem conhece a aventura de Hércules nos porões do inferno à procura do seu amigo Teseu sabe onde Vitor Hugo se inspirou para escrever aquele capitulo.
Na verdade, Washington é o reflexo de um sonho utópico de alguns homens que transformaram suas fantasias em crenças e depois tentaram executá-las na realidade de suas vidas e representá-las no traçado da sua capital. Se conseguiram ou não é outra conversa. Depende de quem julga.
Washington DC é, sem dúvida, como David Ovason descreveu, a cidade da Maçonaria. Mas não tão secreta, nem tão misteriosa. Com certeza muitas conspirações são urdidas lá e muitos segredos também estão lá hospedados. Mas não é no espirito arcano de seus monumentos e no traçado geográfico de suas ruas que iremos encontrá-los. É nas repartições públicas e escritórios das grandes companhias. E com certeza esses segredos não serão tão excitantes como o tesouro dos templários, a arca da aliança, o símbolo perdido, a palavra sagrada etc. Serão coisas mais sórdidas e perigosas que esses preciosos arquétipos que excitam o espirito humano no seu prazer pelo mistério. 
A não ser que as chicanas jurídicas, as intrigas políticas, a espionagem industrial, as trapaças financeiras e outras coisas do gênero tenham sabor tão instigante quanto os velhos segredos arcanos, a intrigante e interessante capital americana é um passeio que vale a pena ser feito. E quem for iniciado vai apreciá-lo muito mais.
Mas numa coisa o filme "A Lenda do Tesouro Perdido" estava certo. O grande segredo da Maçonaria está mesmo escondido (não de forma tão cifrada) na Declaração de Independência. E ele é facilmente encontrado. Está exposto na Biblioteca Nacional do Congresso. Esse tesouro é o espírito que inspirou o documento. E é bem possível que os autores da história também tenham razão quando dizem que ele não pode mais ser encontrado. Pelo comportamento dos lideres da América, hoje, esse tesouro está mesmo mesmo perdido. Para sempre.




João Anatalino
Enviado por João Anatalino em 08/11/2010
Alterado em 01/08/2011


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